quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vinícola Planeta

No nosso segundo dia em Sciacca fomos conhecer Ulmo, primeira das cinco plantas da Vinícola Planeta em Sambuca junto ao lago Arancio. A Planeta foi fundada por Alessio, Fancesca e Santi, três primos, mas a família toda participa do negócio.

A Sicília tem investido muito trabalho, dinheiro em produção e propaganda para a melhora e divulgação de seus vinhos durante os últimos anos. E essas ações já geram resultados. Antes a Sicília era conhecida apenas pelo vinho doce Marsala, hoje tem vinhos mais elaborados como o tinto das uvas nero d'avola além de trabalhar outras uvas como as catarratto, grecanico, nerello mascalese e grillo e fazer mesclas com uvas syrah, merlot e cabernet sauvignon.
O Alessio já veio para São Paulo para negócios com os Fasano algumas vezes e disse que "não achou nada mal a estrutura deles aqui" - impressionado. Os vinhos Planeta são vendidos entre outros locais na Enoteca Fasano.


lago Arancio





Alguns dos rótulos da Planeta.


tomatinhos sicílianos,que delicadeza


Fizemos a degustação dos vinhos e logo após nos ofereceram o almoço, que foi algo memorável e que devo abrir um parênteses aqui no blog para explicar o porque:

Depois que saímos de Taormina fizemos algumas refeições em alguns lugares que eu não recomendaria de maneira alguma, (nem coloquei aqui no blog....se não é bom pra mim, muito menos para o blog...) Um dos lugares que fomos foi um restaurante que nos foi apontado como especial, pois o chef além de ser renomado era praticante do movimento slow food, usava apenas ingredientes orgânicos, da região, era classificado no guia Michelin e em outros guias etc..etc.. Oque ficou na minha cabeça depois deste almoço foi : para que querer inventar e mudar uma coisa que já é tão boa....a comida era inventiva, porém não era apetitosa e nem gostosa estava.... Isso sem considerar que estamos na Itália, onde qualquer biboquinha tem uma comida boa....

Então foi lendo a entrevista do Jamie Oliver nas páginas amarelas da semana retrasada que tudo se encaixou na minha cabeça...Ele disse:

"Como em qualquer área, existe na gastronomia um grupo de profissionais capazes de romper com as velhas fórmulas e inovar de forma surpreendente. Estes criam técnicas e servem de inspiração para os colegas. Mas isso não quer dizer que sejam os melhores do ramo. Uma espuma produzida sob os pilares da tão celebrada cozinha molecular é sempre interessante, e ninguém discorda disso – mas não será necessariamente saborosa. E pagar caro por ela pode não valer a pena. Muitas vezes, não é num restaurante estrelado sob o comando de um chef de renome que se encontrará a melhor comida, mas sim num bistrô mais simples e despretensioso. E quem costuma sair para comer fora já entendeu isso. Nas grandes cidades do mundo, os habitués de restaurantes compõem um grupo bastante ciente daquilo que quer."

E foi oque aconteceu na Vinícola Planeta. O almoço foi feito sob comando de uma das tias (que me lembrou demais a nona da Ana Elisa do blog La Cucinetta)...Foram pratos simples, tradicionais, que vem sendo feitos e aprimorados por anos e anos, porém muito saborosos...E conversando com um dos primos Planeta perguntei se ele cozinhava. Ele disse que sim, que todos cozinhavam e que às vezes um dava palpite no prato do outro, auto-elogiava a própria sua versão....Foi aí que os dois primos começaram a relembrar a granita da nona, que disseram que era um meio termo entre granita (a raspadinha que mostrei aqui no blog) e um sorvete....eu até sonhei com a tal!!!

Resumindo, foi a melhor refeição que fiz na Sicília...simples e bem feita

Primeiro prato uma massa com molho de tomates = zero acidez.
Segundo: uma vitelinha recheada com um tipo de farinha de rosca que dava a sensação "crocante" acompanhada de uma saladinha de folhas e tomatinhos cereja. Sobremesa: granita de limão siciliano com pedaços de morangos docinhos!

Sometimes less is more.....

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