quarta-feira, 29 de maio de 2013

L'Ange du Bizarre no D'Orsay

Quem for à Paris até 9 de Junho não deve deixar de ir à exposição L'Ange du Bizarre no Musée D'Orsay. A exposição tem quadros maravilhosos do Romantismo Negro. Pena que não deu para ver tudo, pois o museu fechou antes por causa da nevasca...fomos praticamente expulsos...

O título da exposição é emprestado de um conto fantástico de Edgar Allan Poe traduzido para o francês por Baudelaire. A exposição tenta pela primeira vez na França retraçar uma corrente artística que através da pintura, escultura e artes gráficas europeias ao longo do século XIX tentou fascinar pelo horror e temor.
Vampiros, espectros, bruxas, castelos mal assombrados, cidades fantasmas, que assombram hoje em dia as criações de indústria do entretenimento, sintomas de um desejo de evasão e emoção. É necessário lembrar que seu nascimento artístico remonta paradoxalmente ao século do Iluminismo e que eles constituem os retratos simplificados de um imaginário mais complexo, e também sensual e cruel de uma liberdade e ousadia que teve uma extensão surpreendente. Atribui-se o nome dessa corrente de Romantismo Negro após a publicação do livro  A carne, a morte e o diabo do historiador italiano Mario Praz em 1930, momento no qual, em Paris, os surrealistas atrevem-se em trazer à luz os romances clandestinos do Marquês de Sade. No mesmo ano, em Hollywood, em plena Depressão, a Universal Estúdios criam os grandes filmes clássicos de horror como Frankenstein e Drácula. É nesse momento quando o romantismo negro se fixa no imaginário coletivo graças ao cinema americano que os intelectuais e artistas europeus buscaram origens e reabilitaram criações esquecidas e desprezadas.
A exposição apresenta o romantismo negro em três épocas: o nascimento dos 4 pilares  (1770-1850), o tempo das expedições a das mutações na arte simbolista (1860-1900) e o tempo da redescoberta na arte surrealista (1920-1940). A exposição conta com trechos de obras cinematográficas de Murnau à Buñuel, representantes da passagem do romantismo negro pela cultura de massa e o imaginário coletivo contemporâneo.
O desdobramento do romantismo negro é ligado à ruptura brutal causada pela Revolução francesa e suas repercussões na Europa inteira: o o fim da sociedade de classes e a secularização suprimem certos marcadores ancestrais, mas o terror e as guerras assinam o fracasso da crença de que a razão poderia ser o único guia de uma humanidade esclarecida. O romantismo negro nasceu da exploração por certos artistas da sensação de perda de controle da natureza exterior, vista como desmedida, perigosa e sublime - , mas também sobre a natureza humana. Na verdade, os românticos levaram a sério as forças sobre as quais a razão não se ateve: de uma parte o corpo e suas pulsões animais (poder, possessão, reprodução, destruição) e de outra as forças inconscientes através dos atos irracionais e os sonhos e pesadelos.
Os românticos exploram de maneira apaixonada os novos espaços de maneira mais excitante que lhes permitem se emancipar das convenções sociais, morais e religiosas da sociedade burguesa.



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